Espelho, espelho meu…

Identidade pode ser visto como algo em constante mutação, se transformando de acordo com as necessidades de um grupo, sofrendo alterações e atualizações, como afirma Hall (apud Rossini, 2005, p. 96). Sendo assim, as formas de representatividade dessa cultura e da identidade desse grupo também devem se modificar, de modo a manter a representatividade.

Esse é o caso da história da Branca de Neve, que permanece em constante mudança desde 1812, quando foi escrita pelos Irmãos Grimm.

Na história original, após ser protegida pelo caçador, Branca de Neve sofre mais três ataques de sua madrasta. Entre eles, um corpete, um pente envenenado e, enfim, a maçã envenenada. A mocinha voltou à vida porque sua cripta bateu em uma pedra, durante o transporte para o castelo do príncipe, fazendo com o que ela cuspisse o pedaço de maçã.

Além disso, os irmãos Grimm sugerem que a madrasta foi castigada por sua enteada e o príncipe, sendo forçada a dançar usando sapatos de ferro fundido ainda vermelhos, de tão quentes.

contosdefada-brancadeneve

A seguir, veio a famosa adaptação da Disney, em 1937. Na nova história, a princesa é ressuscitada graças a um beijo de amor verdadeiro, mostrando uma nova visão de identidade e cultura. Uma visão mais romantizada e infantilizada.

disney

Essa adaptação apresenta uma princesa delicada e indefesa, uma imagem de mulher frágil e submissa, o que corresponde à cultura de uma sociedade tipicamente machista, onde os homens são responsáveis por prover bem estar à mulher e à família.

As adaptações que se seguiram a essa são mais recentes, produzidas numa nova onda de contos de fadas, tornando-os mais adultos e menos romantizados.

O primeiro filme produzido durante essa nova onda chama-se “Espelho, Espelho Meu”, numa clara referência à frase que a rainha utiliza para convocar os poderes mágicos de seu espelho.

Nessa versão, a rainha está no comando de um reino já falido por sua má administração e se utiliza de mágica para se manter jovem e bela, demonstrando uma crítica à ditadura da beleza proposta pela sociedade atual.

Aqui, surge uma Branca de Neve mais segura de si e independente, mostrando uma leve mudança nos padrões sexistas da sociedade.

Além disso, os anões também são repaginados. Nesse filme, eles são ladrões que roubam a corte durante o transporte dos impostos.

espelho espelho meu

Depois disso, surge uma nova versão, que afirma ainda mais a mudança do papel das mulheres na história e no mundo. Em “Branca de Neve e o Caçador”, a mocinha se torna uma guerreira que luta para defender o reino de uma rainha que suga a juventude das jovens.

Apesar disso, ela conta com a ajuda de um caçador, personagem nem um pouco infantilizado, que tem problemas com a bebida e tenta superar a morte  da esposa. Essas características mostram que a história deixou de ser um conto de fadas, se tornando uma história mais adulta.

hunts

Depois de tudo isso, é possível notar que “o cinema, enquanto produtor de discursos que ajudam a dar visibilidade às representações sociais em torno das identidades culturais, nos permite compreender tanto os enfrentamentos quanto as permanências e as mudanças presentes no campo social” (Rossini, 2005, 97).

Fonte:

Anúncios