O Rei Leão – O musical

“Conta a história de Simba, um pequeno leãozinho que é filho de Mufasa, o Rei Leão, e da rainha Sarabi. O recém-nascido recebe a bênção do sábio Mandril Rafiki mas, ao crescer, é envolvido nas artimanhas de seu tio Scar, o invejoso e maldoso irmão de Mufasa, que planeja livrar-se do sobrinho e assumir o trono. Quando Simba se vê injustamente acusado pela morte de Mufasa, sua única chance de salvar sua vida é se exilar das Terras do Reino. Ele encontra abrigo junto a outros dois excluídos da sociedade, um javali chamado Pumba e um suricate chamado Timão, que lhe ensinam a filosofia do “Hakuna Matata” (sem preocupações). Anos depois, ao ser descoberto por Nala, sua amiga de infância, Simba tem que decidir se deve assumir suas responsabilidades como rei ou seguir com seu estilo de vida despreocupado.”

Então surge a dúvida de como adaptar um filme como esse para o teatro, um local limitado e sem todos os recursos de que um filme pode utilizar. Quando Tom Shumacher, criador do filme “O Rei Leão”, ouviu da Disney que a empresa queria adaptar o desenho para um musical, o produtor achou que estava diante da “pior ideia que já tinha ouvido na vida”.

Graças a genialidade, visão criativa e artística de sua diretora, Julie Taymor, este musical supera todas as expectativas. Com sua presença marcante e colorida em cena, O Rei Leão transporta o espectador para o exotismo africano e é um marco no mundo do entretenimento. Sua inovação na concepção artística, especialmente no gênero musical, torna simplesmente impossível que alguém assista o espetáculo e fique indiferente.

Desde a sua estreia na Broadway em 13 de novembro de 1997, e com 20 produções ao redor do mundo, com texto de Roger Allers e Irene Mecchi, Rei Leão recebeu em 1998 uma indicação ao Tony® (seria como o Oscar dos musicais) por seu texto. Em 2008, o musical ganhou três prêmios Molière, incluindo o de Melhor Musical e Melhor Figurino, também recebeu o prêmio Drama Desk, Outer Critics Circle e Drama League pela direção de Julie Taymor, além de diversos prêmios por seus projetos originais, como: máscaras, trajes e fantoches.

A versão brasileira da peça da Broadway traz 53 atores, sendo 11 sul-africanos. O elenco conta com Osvaldo Mil no papel de Scar; César Mello como Mufasa, pai de Simba; Marcelo Klabin é o javali Pumba; Ronaldo Reis é a suricata Timão; Tiago Barbosa é Simba; e Josi Lopes é a leoa Nala. E também Gilberto Gil como autor e tradutor das canções do musical.

Agora vamos falar da peça em sim. Quando o espetáculo começa somos surpreendidos por um incrível nascer de sol, sim um nascer de sol no palco, bem em frente aos seus olhos, o qual inesperadamente parece ser realmente real. A cantoria de Rafiki também marca presença, mas acho que o que mais chama a atenção na adaptação, é que se trata de uma história que possui leões, hienas, girafas, aves, antílopes, enfim, vários animais da savana africana. E de repente todos eles surgem, no meio da plateia elefantes começam a passar, girafas surgem no palco, onças, antílopes.

 

O objetivo é que se possa ver o desempenho tanto do ator quanto do animal que ele representa. Os personagens Scar e Mufasa usam duas máscaras cada: uma se move e outra é utilizada como um cocar (ficando presa à cabeça).

                Tanto Simba como Nala usam somente o cocar, o que nos permite ver todas as expressões faciais que são semelhantes a de felinos.

                As girafas são representadas por pessoas  em cima de pernas de pau, os antílopes são representados por suas cabeças e suas pernas nos atores. E o animal mais marcante é do da onça, pois sua adaptação provavelmente é uma das mais interessantes, pois o comando ator sobre a estrutura do animal é visível, suas pernas são as pernas da onça, e seus braços através hastes controlam as patas, e a desenvoltura do ator, faz o espectador acreditar que ela também é a onça.

Durante o espetáculo inúmeras adaptações, as quais são geniais, são feitas, como por exemplo: quando ocorre o estouro da manada, ou quando Mufasa conversa com Simba através das estrelas,  até mesmo na própria morte de Mufasa, mas também quando é necessário simular vegetação e florestas; tudo sempre muito crível.

Porém nada pode ser perfeito, mas acho que em comparação a todo o resto do espetáculo, acaba por não ser tão relevante. As adaptações das músicas originais, que inclusive são as que nós escutamos no filme dublado sofreram mudanças em suas letras, o que causa automaticamente um erro na cantoria do expectador, além de uma certa decepção e não muita aceitação. O que é necessário entender é que as adaptações são necessárias, e como mudanças são estranhas a todos, precisamos nos abrir a elas e ver que é necessário olharmos essa nova perspectiva.

Nossa vida é baseada por adaptações, e cabe a nós aceita-las, e nesse caso, aproveitar ao máximo, e até quem sabe aprender as novas letras (mesmo a grande maioria ainda preferindo as quais crescemos cantando). O espetáculo provavelmente faz parte de uma cultura de crianças que nasceram por volta de 1900, e que através desse filme aprenderam inúmeras lições, e foi possível tirar aprendizados sobre nossa própria cultura presente no planeta Terra. E o espetáculo nada mais faz, de forma perfeita, nos lembrar dessa bela história.

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